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Críticas ao capitalismo na semana de arte da AEL.

TV cultura, teatro estudantil e crítica ao capitalismo, entenda o que rolou nos bastidores da semana de arte da AEL.

  Nesse último domingo, dia 26 do 10, a tv cultura fez uma reportagem sobre a semana de arte da AEL (academia estudantil de letras) que trouxe peças de diferentes colégios, porém, a que mais se destacou foi sem dúvida a interpretação da EMEF Dr. José Dias da Silveira de “A jornada de um imbecil até o entendimento”, que traz temas extremamente atuais como a situação dos moradores de rua do Brasil e a exploração do homem por um sistema capitalista.

  Sendo esse um texto do premiadíssimo e pesadamente censurado durante a ditadura, dramaturgo Plínio Marcos, esse texto pouco lembrado conta a história de uma trupe de mendigos palhaços (palhaços, pois assim a história se torna mais tragável, dando um ar lúdico às cenas de violência que ocorrem ao desenrolar da peça) que pedem esmola para sobreviver, porém tem um detalhe muito importante. Na narrativa, é colocada a necessidade de chapéus para se pedir esmola, porém, dentre os mendigos, apenas o Mandrião (vilão da peça) é que tem chapéus, sendo assim, ele é o único que controla os meios de subsistência, forçando os demais mendigos a trabalharem para ele para terem o que comer. Além disso, Mandrião controla os demais mendigos ao citar as palavras de um suposto “Deus Orogom”, que foi criado por ele mesmo para ameaçar os seus funcionários, dizendo que aqueles que não se comportam devidamente, isso é, não trabalham para ele ou pior, tentam roubar um de seus chapéus como Manduca tentaria fazer mais tarde, seriam punidos e amaldiçoados.

  É então que começa a narrativa com Popo, o imbecil que protagonisa a peça, e seu amigo Manduca, que decide que está farto de ser escravizado por Mandrião e comete um crime gravíssimo perante as leis de Orogom, ele começa a ter ideias, e a se questionar sobre porque cada palhaço não tem seu próprio chapéu. E é então que Manduca decide por seu sonho em prática e tenta roubar os chapéus de Mandrião, que tem vários chapéus, para distribuir igualmente entre os mendigos, porém ele é pego em flagrante e é posto em julgamento. Julgamento esse que nunca deu chances para Manduca, uma vez que foi posto como advogado de defesa seu amigo, o imbecil do Popo, e o júri eram os demais palhaços que deveriam obedecer ao Mandrião, caso contrário, ficariam desempregados e morreriam de fome. E assim o julgamento ocorre, e a pena foi a esperada, morte para o Manduca que tento roubar os chapéus, porém, Manduca não morre quando Mandrião lhe puxa o gatilho, Ele morre quando todos lhe dão as costas, quando sua luta é ignorada, quando sua voz é silenciada, quando seus sonhos de harmonia entre os palhaços são esmagados. Todos nós, que deixamos sua luta se apagar, é que matamos o Manduca. E é isso que Popo entende, ele finalmente entende o que deve ser feito, e no final da peça ele toma os chapéus de Mandrião e os distribui entre os palhaços e a plateia, porém, diferente de seu amigo, Popo não é morto na frente se todos, ele é tirado de circulação, trancado e silenciado, pois se o matassem, tornariam-o um mártir, é perpetuariam suas ideias.

  E é assim, que uma simples apresentação de teatro estudantil na semana de arte da AEL, fez uma crítica ácida ao sistema capitalista, e a exploração do homem pelo homen em nome do dinheiro.

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